Terça-feira, Dezembro 22, 2009

Só Jesus salva

Mais fotos no Flickr hoje...

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Podem falar que é piegas ou antigo (viu, Mendes?!), mas eu, que sou pai de um cão, achei lindo.





Polícia encontra a inscrição "Arbeit macht frei" roubada de Auschwitz

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

D-O-U-T-O-R-A-D-O

Alguém - que ainda não me permitiu divulgar a notícia aqui e por isso não vou dizer o nome - passou no Doutorado da PUC para psicanálise!
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Eu tenho MUITO orgulho! E pra comemorar já coloco uma foto da referida doutoranda em pose de lançamento de um futuro livro!

Te amo, Dri!
Porque eu fiquei muito feliz com o post acima, mas não quero tirá-lo da primeira posição na página!

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

Meu Flickr

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Depois de muito tempo, tomei vergonha na cara e ativei minha conta no Flickr!
Guerreiros ou brameiros
Ugo Giorgetti


Não sei por que ando pensando muito num comercial da Brahma que andou, ou anda, pelas televisões. De fato ele não me sai da cabeça. Fiquei tão intrigado que recorri até ao site do Clube de Criação de S.Paulo, onde não só o encontrei na íntegra, como tive a surpresa de encontrar também declarações do diretor de marketing da Brahma que, por sua vez, vieram aumentar meu assombro.

Queria, logo de início, pedir licença ao diretor da empresa para refutar uma de suas declarações. Diz ele: "Com a campanha não queremos impor nada a ninguém. Queremos apenas ser porta-vozes do povo brasileiro."

Bem, meu porta-voz esse comercial não é, isso eu posso garantir. E, espero, também não seja de boa parte do povo brasileiro. Para quem não sabe, o comercial descreve a atitude ideal do torcedor brasileiro em relação à Copa do Mundo que se aproxima. Consta de uma sucessão de imagens bélicas e melodramáticas, onde supostos torcedores carrancudos, gritam, choram e batem no peito. Para deixar ainda mais claro a observadores menos atentos que o que se espera realmente são guerras e batalhas, mistura essas cenas com outras, fictícias, devidamente produzidas e filmadas, de um grande exército medieval em ação.

Se as imagens falam por si, o pior é o som. Vozes jovens alucinadas urrando palavras de ordem num tom ameaçador, histérico, a lembrar manifestações das mais radicais e intolerantes agrupamentos que, infelizmente, existem no interior de qualquer sociedade. Eu me permito transcrever algumas das frases vociferadas: "Eu queria que a seleção fosse para a Copa, como quem vai para uma batalha!" "Eu quero guerreiros!", "Vamos para a guerra juntos! 180 milhões de guerreiros!" "Sou guerreiro!" No final do filme, num golpe de surrealismo que faria as delícias de Luis Buñuel, o locutor, contrariando o tom anterior de toda a mensagem, recomenda sabiamente: "Beba com moderação."

O diretor de marketing da Brahma, no mesmo site do Clube de Criação continua: "A mensagem que queremos passar ao torcedor é que, além de ser a primeira marca brasileira a patrocinar oficialmente uma Copa do Mundo, o desejo da Brahma é despertar a atitude guerreira da seleção em todos os 190 milhões de brasileiros."

Com todo o respeito que tenho pela Brahma, cuja publicidade acompanho, até por dever de ofício, há mais de quarenta anos, e que me pareceu sempre celebrar a alegria e a irreverência popular, essas declarações inspiram alguns comentários. O que eu espero da seleção é que jogue bola. Acho que o que nos derrotou em 2006 não foi a falta de guerreiros, mas foi o Zidane, que não era exatamente um guerreiro. Quanto aos 190 milhões, espero que honrem nossa tradição de saber perder, como fizemos em 1950 em pleno Maracanã, ou como fizemos em 1982, encantando o mundo.

O resto é apenas apelar para o que há de pior na sociedade brasileira. Que é o que faz esse equivocado comercial dessa grande empresa. E de repente, a razão pela qual penso nele com tanta freqüência me aparece claramente: é que, de certo modo, o confundo com as cenas reais que aconteceram no estádio de Curitiba domingo passado. Ao revê-las me ocorre uma pergunta: os torcedores que, ensandecidos, fizeram o que fizeram no Paraná seriam "guerreiros" ou "brameiros"? Ou os dois?

Infelizmente não foi possível alertá-los para invadirem e quebrarem tudo "com moderação".

[Coluna de hoje no Estadão]
Abri o armário que fica embaixo da pia e senti muita saudade da Stael. Algumas partes da nossa casa são dela e vão seguir assim... O mais estranho sobre a morte é que ela é definitiva e intransponível, e não há o que eu possa fazer pra dizer à Stael que sentimos sua falta.

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Frase genial do dia, proferida pela Merrina, que trabalha comigo:
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"O difícil da vida é que a vida é todo dia"

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Até segunda, Stael...


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A casa não era ainda uma casa. Era o fim de uma reforma e levava cimento e pó de tinta em todas as frestas e um tótem de eletrodomésticos, ainda embalados, no centro da sala. Foi ali que deixei Stael e seu filho, Igor, assustados, num sábado de novembro de 2007, enquanto saía para resolver outras coisas que ainda impediam a mudança.
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Quando voltei, perto de seis da tarde, poderia arrastar um lençol branco por todos os cômodos, por todos os cantos, que ele só ficaria mais cheiroso. A geladeira, o fogão e os outros móveis estavam, pela primeira vez, nos seus lugares. Mais do que um trabalho impressionante, começava naquele dia uma história de cuidado que durou até a última sexta-feira.
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Ainda em 2007, no momento de acertar o dia trabalhado, Stael - cuja diária era de R$ 25,00 - ficou relutante em aceitar os 80 reais que eu oferecia para ela e para o filho por estar muito impressionado com o que fizeram naquele pequeno caos. Só depois de algum tempo Adriane conseguiu explicar que "todo trabalho tem um valor, especialmente quando ele é bem feito", frase que Stael repetiria outras tantas vezes.
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A despeito da enorme distância entre nossas casas, ela escolheu trabalhar conosco e se tornou uma presença agradável e constante às segundas, quartas e sextas. Dri, eu e Tom tivemos o privilégio de conhecer e conviver com a moça que veio de Campanários, no Vale do Mucuri, querendo uma vida mais feliz. Penso hoje que talvez pudesse tê-la conhecido melhor, ajudado mais, me envolvido mais, mas são dúvidas que não me deixam triste porque estou seguro de que nos fizemos muito bem.
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Tenho hoje um certo vazio - às vezes calmo, às vezes agudo - com momentos de saudade sempre que percebo a presença da Stael em nossa casa. Me tranquilizo ao lembrar que ela gostava de almoçar olhando as árvores do quintal e que se sentia bem por trabalhar no silêncio do condomínio. Vou ter saudades da lista de produtos de limpeza que deveria comprar, sempre escrita com aquele capricho e aquela intenção de quem quer ter certeza de se fazer entendida.
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O cobertor dobrado no pé da cama, as camisas abertas no quarto de visitas, meus tênis e a pantufa que não podiam ficar fora do lugar ou eram lavados imediatamente e, mais recentemente, todas as pequenas comidas que ela insistia em dar para o Tom, mesmo que pedíssemos para que não o fizesse - "ele vai ficar aguado... Não é bom!".
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Não sei se adianta, mas torço para que ela tenha sido feliz e que tenha valido a pena. Bom descanso, Stael...
Foco é isso... (Clique para ampliar. Ah, e não é montagem)
AP Photo/Isaac Brekken
Recebo a seguinte mensagem de um amigo:
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"Minha mãe montou um presépio com quatro reis magos. Dois deles trazendo mirra, o presente mais inútil!"

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Thereza Portes







Estou encantado com os trabalhos da pintora mineira Thereza Portes. A primeira tela, aliás, fica em frente ao divã da minha analista...

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

Oito normas de conduta cotidiana para o cidadão moderno
por Contardo Calligaris*

1. Você pode escolher entre ficar em casa ou pegar a estrada e, sem dúvida, faz e fará um pouco dos dois. Mas, quando estiver em casa, tente não sonhar com a estrada e, quando estiver na estrada, tente não lamentar o calor do lar. Vivemos de sonhos e de nostalgias: é necessário cuidar para que essa alternância não nos mantenha constantemente afastados do momento presente.

2. Quando alguém pedir esmola ou ajuda, dê (na medida de seu possível) o que está sendo pedido. Não tente moldar o desejo de quem pede, oferecendo pão e leite em vez do trocado. A humanidade dos mais desprovidos se refugia e resiste justamente na capacidade de continuar desejando o supérfluo.

3. Todos os pedidos podem ser recusados, mas devem ser, ao menos, reconhecidos. Portanto é proibido recusar sem falar.

4. Trate como íntimo só quem poderia sem riscos lhe devolver a mesma cordialidade.

5. Caso você pretenda mudar o mundo, lembre-se de que, provavelmente, você não está à altura do mundo mudado segundo seu desejo. Se pretende transformar seu parceiro ou sua parceira, lembre-se de que você, provavelmente, não está à altura do parceiro ou parceira assim transformados. Quem quer mudar as coisas facilmente esquece de contar-se entre os itens a serem mudados.

6. Qual é a melhor viagem: visitar as capitais européias num “tour” de 15 dias ou passar duas semanas numa cidade só e conhecê-la um pouco? É mais interessante manter um casamento complicado do que multiplicar as ou os amantes. O mesmo vale para os amigos e relações em geral.

7. Uma vez por semana, durante uma hora, sente-se numa esquina de sua cidade e contemple os passantes. Tente imaginar a variedade das vidas, a dignidade de todas. Se você tem filhos, faça o exercício duas vezes por semana: será de grande ajuda para aceitar que a vida deles vale a pena, mesmo se não corresponde em nada aos seus sonhos.

8. Considere como verdade absoluta que é possível ter uma vida boa e justa sem acreditar numa verdade absoluta.

*publicado originalmente no suplemento “Mais!”, da Folha de S.Paulo, de 13/10/2002.

Entrevista de Contardo Calligaris para a Revista TRIP

Doutor Calligaris não é um intelectual de gabinete. Nascido em Milão, em 1948, este psicanalista de 54 anos rodou meio mundo antes de aterrissar — e se apaixonar — pelo Brasil. Viajante inveterado, Contardo Calligaris transita com igual desenvoltura pelas ideias, que expõe em comentados artigos na Folha de S.Paulo. Também é autor dos livros Hello Brasil! (Escuta, 1992) e Crônicas do Individualismo Cotidiano (Ática, 1996). O comportamento humano, as relações homem /mulher, a guerra no Oriente Médio e a cândida violência brasileira são temas que ele visita com o mesmo interesse com que morou em Londres, Genebra, Paris, Nova York e São Paulo. Nas duas últimas, fixou residência.

A grande viagem da vida de Contardo começou aos 17, quando fugiu de casa para morar em Londres. Na capital inglesa lavou pratos, vendeu cashmere nas ruas e distribuiu folhetos de boates de striptease. Voltou suavemente obrigado pelo pai, mas não se sentia mais em casa na Itália. Em pouco tempo, deixava de lado os jobs que fazia como fotojornalista e tradutor de romances policiais para estudar filosofia na Suíça e depois psicanálise na França. O exílio sem volta incluiu viagens lisérgicas para Índia e Nepal nos anos 60, sexo livre e militância na Paris de maio de 68 e a feroz contracultura norte-americana dos anos 70.

No meio do caminho, aprendeu cinco línguas, passou por três casamentos, desfrutou da amizade de Roland Barthes, Jacques Lacan e Italo Calvino e sofreu a angústia de não pertencer a lugar nenhum. “Viajar deveria ser proibido”, diz ele, surpreendentemente. “Produz uma divisão que não sara nunca.” Apenas uma das aparentes contradições de seu pensamento inquieto — como a que juntou no mesmo sujeito o gosto pelo diálogo e a recusa ao pacifismo. “Quando os aliados bombardeavam Milão na Segunda Guerra, meu pai, que era antifascista, pedia que as bombas caíssem”, conta. “Acho que muitas pessoas no Iraque pedem para elas caírem.”

Em 86, depois de uma palestra em Porto Alegre, conheceu a também psicóloga Eliana dos Reis, uma gaúcha intensa, “daquelas que têm a faca na bota”, como ele gosta de dizer. A paixão à primeira vista foi registrada em foto. Juntaram escovas de dentes e filhos de outros casamentos. Na entrevista a seguir, colocamos o analista no divã.

Dizem que brasileiro é bom de cama. Por quê?
Quando você fala em “sexualidade do brasileiro”, está se referindo a uma curiosa confluência entre o que acontece na vida individual e na vida dos povos. O Brasil foi o maior sistema escravagista do mundo, e a gente se pergunta se isso acabou direito. O fato de “nós”, no caso os brasileiros, sermos sensuais, ou sexuais mesmo, tem a ver com a permanência dessas relações de domínio escravagista — que é o domínio do corpo, o “faço com o seu corpo o que me der na telha”. Esse sadomasoquismo talvez seja a dinâmica fundamental de qualquer excitação sexual. E uma das razões pelas quais há uma dificuldade de se conciliar sexo e carinho.

Por que é difícil conciliar sexo e carinho?
É possível ter carinho pela pessoa com quem a gente transa e transar com a pessoa por quem sentimos carinho. Mas em uma alternância. O sexo não é o momento do carinho. Quando as relações se tornam totalmente carinhosas e as pessoas começam a falar como bebês, daqui a pouco somos o Mickey e a Minnie e vamos dormir com o pijaminha da Disney. Pode ser legal, mas aí a gente vai acabar não transando mais. Por isso que um bom casal é um casal que briga.
Um bom casal é um casal que briga?!
Eu não acho que as relações “apaziguadas” sejam as melhores. Nem que seja grande problema, num casal, de vez em quando voarem uns pratos. É a briga que permite o sexo. Não que você precise sair brigando para depois transar. Quero dizer que a briga serve para quebrar o nhenhenhém. Porque o sexo implica uma certa distância.

E a idéia muito difundida em revistas femininas de que, com o tempo, é normal o relacionamento esfriar e sobrar só o “companheirismo”?
Para mim é mais uma desculpa que outra coisa. Me parece contrário a tudo o que constato, pois, com poucas exceções, somos bichos extremamente apaixonados pela repetição. Nossa regra geral é a mesmice. Então não vejo por que a mesmice seria broxante. Minha idéia é que o interesse sexual se perde por preguiça.

Preguiça de transar?
É preciso esforço para manter a vida sexual. O sexo é um trabalho. Não no sentido de [aponta para o relógio] “ah, agora vou para o escritório”. Mas, se você não mantém fantasias sexuais andando na sua cabeça, num dado momento a atividade sexual morre. Nossa sexualidade não tem nada de natural, é ligada a fantasias e só funciona com elas. A quantidade de casais que param de transar e se queixam como se fosse “eu deveria tomar Viagra” é imensa. Mas o primeiro Viagra é pensar em sexo.

É mais fácil viver sozinho ou a dois?
[Longa pausa] É difícil responder por causa desse “mais fácil”. Acho que cada um deve descobrir se, para ele ou para ela, é mais agradável viver sozinho ou a dois. Qualquer escolha é legítima, o problema é que todas têm um custo. Eu acabo de pedir um Guaraná Diet e poderia envenenar a bebida com o lamento da Coca que não pedi. A maior lição da psicanálise é esta: qualquer desejo implica perdas.

Em outro artigo você afirma que as pessoas andam “tão preocupadas em preservar suas liberdades individuais que acabam por preservar a sua solidão”. É verdade?
Eu acho que, em vez de fugir dos relacionamentos, seria menos custoso inventar maneiras de convivência em que a gente pudesse pagar um pouco menos do que a solidão. A gente tem muito a inventar na maneira de um casal conviver e negociar a individualidade um do outro. Defendo as uniões duradouras, porque são mais interessantes. Acho que muitas separações — mas, cuidado, não todas, longe disso — são efeito de preguiças diversas. Então, valorizo os esforços dos que tentam ficar juntos.

Ainda sobre relacionamentos, você sempre pergunta: “Qual é a melhor viagem, visitar as capitais européias num ‘tour’ de 15 dias ou passar duas semanas numa cidade só e conhecê-la um pouco?”. O que quer dizer?
Quero dizer que a diversidade das relações é dramaticamente desinteressante. A grande maioria das pessoas vive uma série de monogamias. São poucas as que preferem uma vida de quinze capitais em quinze dias. E a verdade é que isso é muito pouco interessante. Porque não existe nada de mais interessante no mundo do que as pessoas. E, se você inventa um sistema de relações que na verdade é um sistema de não-rela-ções, se priva do que há de melhor na vida.

Mas não há um certo prazer na variedade?
Não é a variedade, mas o desconhecido que tem valor erótico. Se você está disposto a ter uma transa num canto escuro de um parque com alguém que nunca viu, isso é uma fantasia sexual do caramba. Só não esqueça a camisinha. Mas ser galinha e ter um flerte com uma conversa babaca a cada dois dias não tem interesse nenhum, nem sexual, nem individual. Entendo perfeitamente uma atividade sexual de sauna, de clube de swing, mas essa do “eu flerto, bato um papinho, dou dois beijos e passo para outra” não tem nenhuma graça.

Fidelidade é essencial num relacionamento?
[Pensa] Não tenho valores absolutos sobre isso. Mas existe a ideologia, muito cool, de que “tudo bem, nós somos liberados, transa com quem você quiser e eu também”. Só que, na maioria dos casos, os dois vão sofrer uma barbaridade com isso: vão ter ciúmes, morder as unhas, se odiar e acabar numa merda. Na grandíssima maioria dos casos é uma mentira.

Existe uma apologia do não-compromisso?
É possível. O que me espanta na geração dos meus filhos, que têm entre 19 e 24 anos, é que eles se engajam em relações importantes, que duram anos, mas só são possíveis numa espécie de negação absoluta. É evidente que estão construindo uma vida a dois, monogâmica, mas existe uma atuação teatral do não-compromisso, uma negação da retórica do amor. Agora, eles praticam a fala de nenê. Nê-nê-nê! [Gargalhadas] Isso é uma praga!

Que outras diferenças você vê?
Outra coisa que noto é que eles não parecem tão interessados pelo sexo quanto a minha geração. A liberação sexual nos anos 60 era um tema ideológico. Era uma obrigação transar em grupo, trocar de parceiro na cama... E acho, mas pode ser só impressão, que a atividade fantasmática sexual é pouco presente nos jovens de 20 anos agora. Isso pode até ser positivo, porque diminui as expectativas... Mas, não sei. Acho menos divertido.

Por que as novas gerações estariam menos interessadas em sexo?
A velha idéia é de que a proibição fazia o “sal” da coisa. E uma vez que a sexualidade foi liberada... Mas não acredito nisso. A hipótese que levanto é que a nova geração erotiza menos as relações de domínio. E, portanto, falta o elemento que era para as gerações precedentes uma das fontes essenciais da excitação. Quando falo “erotizar as formas de domínio”, não significa nada de espantoso. É aquele casal que se adora e na hora da transa ele diz “toma aqui, sua puta!” e os dois gozam freneticamente. A pergunta é: as novas gerações são capazes de inventar uma sexualidade diferente? É possível. Mas esse déficit é visível na indústria da “mascarada sadomasoquista” e nos filmes pornôs, em que um strip ou uma transa não interessam mais — o negócio é “a puta violentada pelo policial”. Também há um fundo sadomasoquista no movimento gótico, no punk, nos vampiros, na cultura da tatuagem e do piercing.

A internet atrapalha as relações humanas?
Pelo contrário. A internet é um instrumento incrível de reativação das fantasias. As pessoas se encontram pra caramba graças a ela. Se eu tivesse como fantasia erótica transar de garrafa a 12 metros de profundidade com um buraco na minha roupa de borracha, onde ia achar alguém que gostasse da mesma coisa? Um senhor de meia-idade, casado, cuja grande emoção sexual é se vestir de mulher e se masturbar olhando no espelho poderia passar a vida toda convencido de que é uma monstruosidade, um freak. A internet permitiu a milhões de pessoas assim descobrirem que não eram as únicas.

Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

Meu cinto de utilidades pros dias de hoje

Acupuntura, floral e análise.
Uma vela para cada santo.

Todo o sentimento (Cristóvão Bastos - Chico Buarque)

Preciso não dormir até se consumar o tempo da gente. Preciso conduzir um tempo de te amar, te amando devagar e urgentemente. Pretendo descobrir no último momento um tempo que refaz o que desfez, que recolhe todo o sentimento e bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer até o amor cair doente. Prefiro então partir a tempo de poder a gente se desvencilhar da gente. Depois de te perder, te encontro, com certeza, talvez num tempo da delicadeza, onde não diremos nada, nada aconteceu, apenas seguirei, como encantado, ao lado teu.

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Sábado, sábado, sábado, domingo.
São Paulo.

(Francisco César é o talento do dia)

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Aquisição do almoço

(E um presente pra Dri)

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Walker Evans e Weegee para Milen

Arthur Fellig (pseudônimo Weegee), conhecido por um inovador, e por vezes bizarro, registro das ruas de Nova York até os anos 60. Muitas vezes chegava ao local das ocorrências antes mesmo da polícia.
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Walker Evans, em exposição em São Paulo até janeiro, famoso pelo registro da crise americanas das décadas de 20 e 30 nos estados do interior do país.
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Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Cenas de um casamento

Porque algumas pessoas fazem falta e é muito bom descobrir que os motivos pra isso continuam lá. Saudades, Brunão.










(Imagens radicalmente reduzidas...)

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Há alguns dias falei que esse blog não se tornaria um espaço de futebol e, para isso, diminuí drasticamente os posts sobre o assunto. Contribuíram, também, a decepcionante trajetória do Atlético no final de campeonato e um esforço muito grande de não me incomodar mais com o assunto.
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Funcionou. Não fiquei totalmente alheio ao campeonato brasileiro, mas, efetivamente, não me abalei com a humilhação que o Atlético sofreu nessas 4 derrotas consecutivas e com o fim do sonho de ganhar o campeonato ou de disputar a Libertadores do ano que vem.
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Gosto de futebol. Sempre gostei. Me encanta ir ao Mineirão e me diverte muito ver um jogo do Atlético pela televisão, principalmente quando ele ganha. Duvido muito que isso mude algum dia, assim como duvido também que nas grandes campanhas eu deixe de participar mais ativamente.
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Hoje não... Flamengo, São Paulo, Inter ou Palmeiras podem ser campeões e o Cruzeiro pode ir à Libertadores. Não me importo. Parabéns a quem conseguir. A única coisa, no entanto, que me deixa puto é ouvir a mesma e infeliz tiradinha sarcástica de um jogador - Corrêa - e do Presidente do Atlético, que destemperado como só ele, poderia ter ficado calado, praticando a humildade de quem ainda não trouxe nenhum grande título, mesmo que tenhamos tido chances esse ano.
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Comparar contextos absolutamente diferentes ao dizer que é estranho a torcida cantar o hino quando o time foi rebaixado e vaiar quando ele termina o campeonato em sexto lugar é atestar uma ignorância assustadora sobre a história do Atlético. Ou, talvez, atestar um desequilíbrio incondizente com o cargo de presidente de uma instituição que tem toda sua existência calcada na paixão de um número cada vez menor de torcedores.
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Os atleticanos cantaram o hino quando o time caiu exatamente porque nas últimas rodadas daquele campeonato o time se importou com alguma coisa. As vaias de hoje foram mais do que merecidas porque o time foi medíocre, medroso, infantil e covarde nos últimos quatro jogos, quando poderia ter assumido a liderança definitivamente. Dois momentos selaram o destino do Atlético no Brasileiro de 2009: o pênalti perdido pelo imaturo Renan Oliveira contra o Palmeiras e um gol olímpico em pleno Mineirão. Só me resta, então, torcer para que o Inter se torne campeão no próximo domingo como uma recompensa pelo título que lhe arrancaram em 2005.
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Não é sorte que falta ao Atlético, mas sim a frieza e a experiência que equipes acostumadas a grandes decisões geralmente demonstram. Talvez pelo fato de o time ter sido dilapidado pela mais absoluta falta de escrúpulos e de profissionalismo durantes anos. Ficamos, então, com a opção de aprender a evitar as grandes dores até que tenhamos, novamente, chances de uma grande paixão...

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Oi

Em solidariedade à Dri, eu odeio a Oi.